10 maio 2014

De quem depende o futuro da humanidade?

O futuro de nosso planeta depende de 58 pessoas


"Roma, Itália, abril/2014 – Embora para muitos tenha passado inadvertidamente, o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) publicou, no dia 13 de abril, a terceira e última parte de um informe no qual adverte sem rodeios que temos apenas 15 anos para evitar ultrapassar a barreira de um aquecimento global de dois graus. Além disso, as consequências serão dramáticas.
Somente os mais míopes não tomam consciência do que se trata: aumento do nível do mar, furacões e tempestades mais frequentes e um impacto adverso na produção de alimentos.
Em um mundo normal e participativo, no qual 83% das pessoas que vivem hoje ainda existirão dentro de 15 anos, esse informe teria provocado uma reação dramática.
Entretanto, não houve um único comentário dos líderes dos 196 países nos quais habitam os 7,5 bilhões de “consumidores” do planeta.
Os antropólogos que estudam as semelhanças e diferenças entre os seres humanos e outros animais há um bom tempo chegaram à conclusão de que a humanidade não é superior em todos os aspectos.
Por exemplo, o ser humano é menos adaptável à sobrevivência do que muitos animais em casos de terremotos, furacões e outros desastres naturais. A esta altura, eles devem manifestar sintomas de alerta e mal-estar.
O primeiro volume desse informe do IPCC, divulgado em setembro de 2013 em Estocolmo, estabelece que os humanos são a causa principal do aquecimento global, enquanto a segunda parte, apresentada em Yokohama no dia 31 de março, afirma que “nas últimas décadas as mudanças climáticas causaram impactos nos sistemas naturais e humanos em todos os continentes e em todos os oceanos”.
O IPCC é formado por mais de dois mil cientistas de todo o mundo e essa é a primeira vez que chega a firmes conclusões finais desde sua criação pelas Nações Unidas, em 1988. A principal conclusão é que, para deter a corrida rumo a um ponto sem volta, as emissões globais devem cair entre 40% e 70% antes de 2050.
O informe adverte que “só as grandes mudanças institucionais e tecnológicas darão uma oportunidade superior a 50%” para o aquecimento global não ultrapassar o limite de segurança, e acrescenta que as medidas devem começar, no mais tardar, em 15 anos, completando-se em 35.
Vale a pena assinalar que dois terços da humanidade têm menos de 21 anos e em grande parte são eles que terão que suportar os enormes custos da luta contra a mudança climática.
A principal recomendação do IPCC é muito simples: as principais economias devem fixar um imposto sobre a contaminação com dióxido de carbono, elevando o custo dos combustíveis fósseis, para impulsionar o mercado de fontes de energias limpas, como a eólica, solar ou nuclear.
Dez países são causadores de 70% do total da contaminação mundial de gases-estufa, sendo que Estados Unidos e China respondem por 55% desse total.
Ambos estão tomando medidas sérias para combater a contaminação.
O presidente norte-americano, Barack Obama, tentou em vão obter o beneplácito do Senado e teve que exercer sua autoridade sob a Lei de Ar Limpo de 1970 para reduzir a contaminação de carbono dos veículos e instalações industriais, estimulando as tecnologias limpas. Mas não pode fazer mais nada sem apoio do Senado.
O todo poderoso presidente da China, Xi Jinping, considera prioritário o ambiente, em parte porque fontes oficiais estimam em cinco milhões anuais o número de mortes nesse país em razão da contaminação.
Mas a China precisa de carvão para seu crescimento, e a postura de Xi é: “por que deveríamos frear nosso desenvolvimento, quando os países ricos que criaram o problema atual querem que tomemos medidas que atrasam nosso crescimento?”.
Dessa forma, cria-se um círculo vicioso. Os países do Sul querem que as nações ricas financiem seus custos de redução da contaminação e os do Norte querem que esses deixem de contaminar e assumam seus próprios custos.
Como resultado, o resumo do informe, que destina-se aos governantes, foi despojado das premissas que poderiam dar a entender a necessidade de o Sul fazer mais, enquanto os países ricos pressionaram para evitar uma linguagem que pudesse ser interpretada como a necessidade de eles assumirem as obrigações financeiras.
Isso deveria facilitar um compromisso brando na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Lima, onde se deveria alcançar um novo acordo global (lembremos o desastre da conferência de Copenhague, em 2009).
A chave de qualquer acordo está nas mãos dos Estados Unidos. O Congresso desse país bloqueia toda iniciativa sobre o controle climático, proporcionando uma saída fácil para China, Índia e o resto dos contaminadores: “por que devemos assumir compromissos e sacrifícios se os Estados Unidos não participam?”.
O problema é que os republicanos converteram a mudança climática em uma de suas bandeiras de identidade. A última vez que se propôs um imposto sobre o carbono, em 2009, depois de um voto positivo na Câmara de Representantes, controlada pelos democratas, o Senado, dominado pelos republicanos, o rejeitou.
Nas eleições de 2010, uma série de políticos que votaram a favor do imposto sobre carbono perderam suas cadeiras, o que contribuiu para que os republicanos assumissem o controle da Câmara.
Agora, a única esperança para os que querem uma mudança é aguardar as eleições de 2016 e esperar que o novo presidente norte-americano seja capaz de mudar a situação. Esse é um bom exemplo do que os gregos antigos diziam: que a esperança é a última deusa…
O quadro é muito simples. O Senado dos Estados Unidos tem cem integrantes, o que significa que bastam 51 votos para liquidar qualquer projeto de lei de imposto sobre os combustíveis fosseis.
Na China, a situação é diferente. Na melhor das hipóteses, as decisões são tomadas pelo Comitê Permanente do Comitê Central, formado por sete membros, que são o verdadeiro poder no Partido Comunista.
Em outras palavras, o futuro de nosso planeta é decidido por 58 pessoas de uma população de quase 7,7 bilhões de habitantes."
Fonte: Envolverde/IPS
http://envolverde.com.br/ambiente/o-futuro-de-nosso-planeta-depende-de-58-pessoas/
* Roberto Savio é fundador e presidente emérito da agência de notícias Inter Press Service (IPS) e editor do Other News.

21 janeiro 2014

Consciência na ação

Começo o ano desejando a todos um 2014 de realizações e sobretudo oportunidade de viver com mais integridade, isto é, integrar aquilo que somos ao que fazemos. Existe hoje uma hipocrisia generalizada que muito me entristece. As pessoas fingem não saber que estamos adentrando uma séria situação. As responsabilidade são constantemente delegadas aos "outros". Acredito cada vez mais que sem transformação pessoal não há transformação social possível. Precisamos rever nossos valores...no nível individual ara o organizacional e então o coletivo.
Compartilho abaixo a mensagem do estimado Hugo Penteado, autor do blog Nosso Futuro Comum, que há anos vem contribuindo muito para elucidar a questão da sustentabilidade - uma mente que considero brilhante no debate por uma sociedade mais sustentável.
Boa leitura e bom ano a todos,
Clarissa

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Amigos,

Nós que acreditamos que a economia é um subsistema da Terra e não o contrário como querem muitos economistas (até os ditos ambientalistas) sofremos muito quando emitimos nossa opinião.
Até entre nós o diagnóstico, as causas e as soluções divergem muito.

Se não ouvirmos uns aos outros, por mais que discordemos, não aprendemos, iremos para o fim da nossa civilização de vez.

Por exemplo, eu acho um absurdo falarmos em energias renováveis (mito) e de acreditarem que precisamos de mais energia, quando esse sistema desperdiça energia nababescamente com coisas inúteis.  Temos que combater o desperdício e a ineficiência desse sistema, não inventar novos sistemas produtivos de energia, enganosamente chamados de “energia limpa” onde até a nuclear entra aí…

Ouço um silêncio sepulcral quando toco nesse assunto.  Quando digo que mais sistemas, sejam quais forem, só aceleram nossa rota suicida, ninguém fala nada e quando digo que nada mudou e a economia de alto carbono está firme como uma rocha principalmente nas reuniões de sustentabilidade como a Rio +20 ou PRI ninguém fala nada. Quando somamos todas as iniciativas de sustentabilidade das empresas que só buscam lucros de curto prazo com mais consumo inconsciente e destruidor de matéria e energia que levará inevitavelmente ao fim da vida na Terra, ninguém também se pronuncia, embora todos sonhem em ter netos.

Enfim, precisamos nos ouvir.

Abraço a todos e feliz 2014,

Hugo

Fonte: Nosso Futuro Comum - http://nossofuturocomum.blogspot.com.br

20 setembro 2013

Você está pronto para algo completamente novo?

De volta aos artigos, queridos leitores!  Peço desculpas pela ausência. Neste meio tempo casei, sai de férias e na volta me envolvi numa verdadeira maratona de atividades profissionais. Muitas novidades agora e pela frente. E por falar nisso...como está sua abertura para o diferente?

Semanalmente recebo as mensagens de Eileen Caddy, da Findhorn Foundation, que considero um bálsamo para a alma, por trazerem tanto esclarecimento e inspiração ao dia-a-dia. O texto de hoje (mensagem original abaixo) traz uma instigante reflexão. Você está preparado para o novo? Para algo completamente estranho, não ortodoxo?
Muito se fala na importância da inovação. Porém, quando algo realmente novo é inventado, geralmente uma grande controvérsia se forma em torno da questão, especialmente quando o tema mexe com a visão de mundo das pessoas. Formam-se grupos naqueles que acreditam, dos que são céticos – polariza-se o “nós” contra “eles”. Alguns ridicularizam aquilo que está além de sua compreensão.

Vemos isso acontecer no campo da sustentabilidade, isto é, das discussões acerca do modelo econômico e dos caminhos para um desenvolvimento sustentável. O mesmo ocorre em relação à medicina integrativa (dita “alternativa” pelo stablishment) em comparação à medicina alopática, e também quanto à visão de mundo proposta pelo cientificismo materialista – segundo a qual o ser humano nada mais é do que matéria regida por interações químicas cerebrais em contraponto à visão quântica-humanista, que vê as pessoas como seres conscientes e espirituais, que aqui vivem uma existência material.

Esta semana estive no workshop “Psicologia Quântica” com o genial professor Amit Goswami, físico quântico indiano e referência mundial em estudos que visam conciliar ciência e consciência. Dentre os conceitos revolucionários e profundamente inspiradores que traz a partir de seus estudos científicos e da vivência nas tradições orientais, destacam-se algumas propostas animadoras.

A primeira é que o cérebro incorpora a consciência “quântica” (chamada também de consciência universal, inconsciente coletivo, domínio manifesto ou transcendente) que é “não local” e situada fora do espaço-tempo e, portanto, externa ao corpo. O cérebro atua como um “leitor” que produz a experiência da consciência individualizada (ego) e a capacidade de a pessoa identificar a si mesma; num nível de consciência “normal” o indivíduo está identificado com seu corpo e/ou mente (ideia que “eu sou o meu corpo” e/ou “eu sou meus pensamentos). Por meio de técnicas como a respiração consciente e a meditação, quando praticadas constantemente, é possível desenvolver ao longo do tempo um observador interno capaz de distanciar-se das sensações físicas e da massa de pensamentos e observá-los; ao aprofundar esta prática, num estado sem pensamentos, podemos entrar em contato com o Eu mais profundo, chamado por Jung de Self, o centro de inteligência intuitiva e quântica que se diferencia do ego e que proporciona acesso a uma infinita gama de novas possibilidades para criar e inovar.

Outra novidade interessantíssima é que qualquer pessoa pode utilizar a criatividade para transformar a si mesma e sua vida. Para Amit, “a espiritualidade é o processo de usar a criatividade para modificar as experiências internas”. Diferentemente do que se costuma pregar, não há seres criativos e outros não criativos. Todos podem criar e inovar. Goswami mostra o caminho num processo de 04 etapas: 1) Preparação: pesquisar sobre o problema/desafio em questão, conversar sobre o tema, pensar, quebrar a cabeça em busca de uma solução; 2) Incubação: relaxar, buscar momentos de ócio, sair do foco do problema e deixar a consciência intuitiva agir; 3) Insight: de depende, a solução aparece – uma lâmpada se acende, o famoso “eureca” ou “a-há”; 4) Manifestação: fase em que devemos colocar em prática a solução encontrada. E então, você está preparado para explorar o novo?

Let Go and Let Me Guide You
There are so many hidden wonders and truths waiting to be revealed to 
those who are ready to receive them. Are you really ready to accept something
 completely new and strange, something absolutely unorthodox? When something new is invented there is usually great controversy about it. There are the believers and the unbelievers, there are those who are willing to try the new and those who
 shun it. There are those who scoff at it and ridicule it because it's beyond their 
understanding. That is why, when you are entering into the New you have to be strong and of 
good courage, so you are able to withstand any opposition and simply know from
 within that what you are doing is right and go right ahead without hesitation. If
 an inventor listened to all the confused voices all around him, he would never 
achieve that which has been given to him from within. When I give you some 
wisdom and knowledge within, allow nothing to shake it, hold on to it through 
thick and thin and you will behold the most wonderful results. Listen only to My
 still small voice and you will be able to bring forth the New. This does not require
 any effort on your part, it simply requires faith and obedience and absolute belief 
in what you are doing. Let go and let Me guide you. 20 September 2013
Fonte: Guidance from Eileen Caddy, Findhorn Foundation. http://www.findhorn.org/


18 março 2013

Trabalhar 12 h não prejudica só a vida pessoal e a saúde, mas também as empresas


Bastante interessante este artigo publicado no NYT. Enfim, um pouco mais de razoabilidade começa a emergir no mundo corporativo. Boa leitura!

"O sábio chinês Lao-tse escreveu há 2.500 anos: "Aquele que se apega ao trabalho não cria nada que perdure. Se quiser viver segundo o Tao, faça seu trabalho e depois se afaste dele."
Mas isso é mais fácil de dizer do que fazer. Os chineses da antiguidade não tinham a internet nem as atualizações instantâneas das Bolsas de Valores.
Considere a história de Erin Callan, que era executiva-financeira-chefe da Lehman Brothers na época em que a empresa desabou, em 2008. Callan escreveu no "New York Times" que sua dedicação incansável e as horas incontáveis que passava no trabalho a deixaram praticamente sem vida pessoal, com um casamento que não demoraria a ir por água abaixo. "Quando deixei meu emprego, isso me deixou arrasada", escreveu. "Eu não sabia valorizar quem eu era, em oposição ao que eu fazia."
Callan e muitas outras pessoas como ela talvez se sintam reconfortadas com descobertas que indicam que a maneira mais eficiente de realizar coisas talvez seja passar mais tempo fazendo menos.
"A renovação estratégica --que inclui fazer exercícios físicos durante o dia, tirar sonecas curtas à tarde, passar mais horas dormindo, passar mais tempo longe do escritório e tirar férias mais longas e frequentes-- resulta em melhorias na produtividade, na performance no trabalho e, é claro, na saúde", escreveu no "NYT" o consultor de administração do tempo Tony Schwartz.
Parece contraintuitivo. Impérios foram erguidos sobre a ideia de que "mais é mais", correto? O lema de que "menos é mais" não seria próprio de arquitetos minimalistas e pessoas preguiçosas?
Schwartz e muitos outros discordam. O consultor observa que trabalhar demais, algo que frequentemente tem como consequência dormir de menos, prejudica não apenas os profissionais, mas também as empresas para as quais eles trabalham.
Um estudo recente da Universidade Harvard concluiu que trabalhadores que não dormem o suficiente custam a empresas americanas US$ 63,2 bilhões por ano em produtividade perdida. Outro estudo concluiu que sonecas aumentam a produtividade no trabalho.
Outro estudo, este da Universidade Florida State, constatou que as pessoas de performance mais alta --atores, atletas e músicos de elite-- tendem a trabalhar melhor em períodos de 90 minutos, raramente mais que três vezes por dia, separados por intervalos regulares. O dia de trabalho de 12 horas ininterruptas diárias não é uma opção sensata.
Os atletas de alto nível, cujos corpos precisam de longos períodos de descanso, sabem disso há muito tempo. Mas essa máxima não se aplica apenas a eles.
Um estudo feito com três grupos de mulheres na faixa dos 60 aos 74 anos de idade que se exercitavam respectivamente duas, quatro e seis vezes por semana constatou que mulheres dos três grupos tiveram quase os mesmos benefícios físicos, mas aquelas que se exercitavam seis vezes por semana sofreram mais fadiga e eram menos ativas de maneira geral.
Tudo isso soa como lições da era moderna, mas não é de hoje que são lançados avisos contra o excesso de atividade.
Erin Callan parece ter enxergado a luz taoista: "Eu não precisava ficar atenta ao meu BlackBerry de manhã até a última hora da noite. Não precisava fazer a maioria de minhas refeições à mesa do trabalho. Não precisava varar a noite num avião para uma reunião na Europa no dia do meu aniversário. Hoje acredito que eu poderia ter chegado a uma posição semelhante tendo uma versão um pouco melhor de uma vida pessoal. Não sem sacrifícios, mas com um pouco mais harmonia."

Fonte: PETER CATAPANO - DO "NEW YORK TIMES" para Folha on line.