Compartilho reflexões instigadas pela leitura de artigo de Ricardo Young, postado hj diretamente da cúpula empresarial de mudanças climáticas que acontece em Copenhage, Dinamarca (integra:
http://institutoethos.blogspot.com/2009/05/direto-de-copenhague-ricardo-young.html)
É interessante observar que na última década a comunidade empresarial puxou o coro dos socialmente responsáveis e desfilou as suas propostas de projetos verdes, e muita pedra foi jogada nos governos, antes atrasados e posicionados à margem da discussão. Agora, mesmo com esta reunião de 700 CEOS (!!) para discutir o papel das empresas na redução das emissões de carbono, parece que começar a haver uma inversão nesta dinâmica, a medida em que o tema entra com peso na agenda política de nações como os EUA, sob a liderança de Obama, sob o coro de pesos como Ban-ki-moon e Al Gore. As empresas estão diante de um questionamento público cada vez maior quanto à relevância das ações que vêm empreendendo até o aqui, e se vêem forçadas a fazer o que tem que ser de fato feito - a lição de casa, cuidar dos seus impactos e da qualidade das relações que estabelece com a sociedade.
As últimas medidas anunciadas pelo presidente americano (em relação a política energética) deflagram um movimento audacioso como deve ser, pois a crise de valores do mundo atual já engloba todos os aspectos possíveis, do economico ao social e a inegável degradação ambiental. Em Copenhage, pretende-se firmar uma espécie de "marco-zero da nova economia", baseada num modelo de "baixas emissões de carbono", colocando na agenda das empresas prioridades como a eco-eficiência, o uso de energias renováveis e a redução das emissões de gazes causadores do efeito estufa. É bom que seja assim, pois do jeito que caminha o mundo, o aquecimento global e as decorrentes mudanças climáticas já são sentidas e vão afetar ainda mais a todos, desde os mais pobres (que injustamente são os que mais sofrem os seus afeitos), até fritar o caixa das próprias empresas e a cabeça de seus líderes, pois já adentramos numa nova dinâmica universal aonde "se não tiver para cada cada um, também não vai ter para nenhum", como diz aquela música....
Fica no ar uma bruma de esperança, de que o mundo corporativo passará a se empenhar de fato para cumprir com o seu papel de agente econômico promotor do desenvolvimento, atuando de acordo com políticas e modos de extração de matérias-primas, de produção e de pós-consumo que possam ser sustentadas ao longo das gerações, de criação de valor real, isto é, geração de renda para colaboradores e pessoas que habitam as comunidades impactadas por suas operações, em detrimento de formas exploratórias e destrutivas que visam unicamente à sustentação de lucros crescentes para os acionistas, e que, mais cedo ou mais tarde, cairão por terra, como a crise de derivativos já nos mostrou. Mas enquanto a motivação for meramente econômica, sempre haverá uma busca por "brexas"...
Na semana passada estive no Forum de Comunicação e Sustentabilidade, e o sábio e cativante Mohan Munasinghe (Vice Presidente do IPCC e Prémio Nobel da Paz de 2007) apresentou um amplo painel onde não fica dúvida - já temos o know how, as pessoas e os recursos necessários para produzir e consumir de forma diferente, e para enfrentar as mudanças climáticas. Mas para isso é preciso muita disposição para combater a hipocrisia e pensar no coletivo, criando formas de adaptação para os países pobres e estratégias de mitigação pelos países ricos. Encarar que o mundo já é regido pela interconectividade, e que sem ética e responsabilidade (habilidade de resposta) não tem salvação. Então, mesmo assim a nuvem negra no horizonte paira, quando se observa a qualidade da discussão entre empresários. Se Ricardo Young a define como "sofrível", ainda temos muito a temer e vemos que sem um salto de consciencia na mente das lideranças que detém o poder econômico, os avanços serão pequenos. Mas esse salto é pra lá de profundo, e como dar esse salto então, nem se fala......é discussão para uma nova postagem, pois falar sobre desenvolvimento humano integral, como dizia a minha avó, "dá pano pra manga".....
Desenvolvimento humano, sustentabilidade, formação de novas lideranças, nova consciência e transformação global.
26 maio 2009
14 maio 2009
Como alcançar uma visão mundiocêntrica?
Um dos assuntos que mais me instiga e inspira há tempos é a importância do desenvolvimento integral das pessoas - aquele capaz de atender ao seu aprimoramento no plano fisico, mental e espiritual para o alcance da sistentabilidade global.
Vejo que essa é a questão central e indispensável para que um dia a humanidade possa entrar num sistema de colaboração que permirá realizar as mudanças necessárias rumo a um modelo sustentável de desenvolvimento. Todas as formas de diagnóstico já foram feitas e já se sabe que o mundo dispõe de conhecimento (teórico, técnico, científico) e de recursos (humanos, financeiros, etc) para mudar o que tem que ser mudado. Ou, pelo menos, para alavancar um processo consistente neste sentido. O grande impedimento é de ordem espiritual (entendida como aqui uma forma muito ampliada da "moral"), que pauta seus reflexos no mental, e daí decorre nas formas de interações sociais e com o ambiente. Pois, como as pessoas hoje não se identificam o próprio espírito - a grande maioria atua no mundo com um apanhado de carne e cérebro que luta por possuir somente a matéria, e sob uma perspectiva totalmente egocentrica (o "eu" no centro de tudo, o "meu" interesse primeiro). Nesta perspectiva fica de fato impossível olhar o mundo sob a perspectiva mundiocentrica sob a qual o Ser passa a se identificar com o todo e então, a favor do todo pauta as suas ações. E esta transmigração no olhar não é algo que se possa controlar pela razão. Trata-se de lente sob a qual cada um vê o mundo. Somente o desenvolvimento espiritual, a amergencia de uma nova consciencia no sentido mais amplo da palavra, é capaz de dar conta de transformar as pessoas de dentro para fora, e numa escala global, transformar toda a sociedade.
O texto abaixo, oriundo da Comunida Bahá'í, discorre que forma profunda e ao mesmo sintética sobre o tema, e com muita satisfação compartilho com vcs:
"O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E O ESPÍRITO HUMANO
Adaptação da declaração apresentada à Cúpula da Terra
(Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento)
Rio de Janeiro, Brasil.
Acima de questões técnicas e políticas tais como os limites a serem estabelecidos para a emissão de gases do efeito estufa, como promover o desenvolvimento sustentável, e quem pagará a conta, a pergunta fundamental com que se defronta a comunidade mundial é esta: Pode a humanidade, com seus padrões arraigados de conflito, egoísmo e conduta tacanha, comprometer-se com uma cooperação esclarecida e com um planejamento de longo prazo em escala global?
O processo da Cúpula da Terra realçou tanto a complexidade como a interdependência dos problemas que a humanidade enfrenta. Nenhum desses problemas - as iniquidades debilitadoras do desenvolvimento, as ameaças apocalípticas do aquecimento atmosférico e da destruição da camada de ozônio, a opressão da mulher, o abandono de crianças e poulações marginalizadas, para citar apenas alguns - pode ser abordado com realismo sem que se considerem todos os demais. É impossível solucionar qualquer um deles sem uma magnitude de cooperação e coordenação em todos os níveis que ultrapassa em muito qualquer esforço anterior da experiência coletiva da humanidade.
O potencial para tal cooperação, entretanto, é solapado pela distorção geral do caráter humano. Embora não sejam comumente discutidas no contexto dos desafios do meio ambiente e do desenvolvimento, vigoram no mundo atual certas tendências - que incluem a carência generalizada de disciplina moral, a glorificação da ambição e da acumulação material, a destruição crescente da família e das comunidades, o alastramento da anarquia e da desordem, a ascensão do racismo e do fanatismo, e a atribuição de prioridades a interesse nacionais em detrimento do bem-estar da humanidade - as quais todas, sem excessão , destroem a confiança mútua, alicerce da cooperação.
A reversão dessas tendências destrutivas é essencial para o estabelecimento da unidade e da cooperação. Isso exigirá uma compreensão mais profunda da natureza humana; pois embora a economia, a política, a sociologia e a ciência ofereçam ferramentas importantes para a abordagem das crises interdependentes que afligem a humanidade, uma verdadeira superação do estado de perigo em que se encontram os assuntos humanos só poderá ser levada a efeito quando a dimensão espiritual da natureza humana for levada em conta e o coração humano, transformado.
Embora certos aspectos místicos não sejam fáceis de explicar, a dimensão espiritual da natureza humana pode ser compreendida, em termos práticos, como a fonte das qualidades que transcendem a estreiteza do interesse próprio. Tais qualidades compreendem o amor, a compaixão, a tolerância, a fidedignidade, a coragem, a humildade, a cooperação e a vontade de sacrificar-se pelo bem comum - qualidades de uma cidadania esclarecida, capaz de construir uma civilização mundial unificada.
As transformações profundas e de vasto alcance, a unidade e a cooperação sem precedentes, necessárias à reorientação do mundo rumo a um futuro de justiça e sustentável quanto ao meio ambiente, só serão possíveis tocando-se o espírito humano, apelando-se àqueles valores universais que, por si só, podem capacitar os indivíduos e os povos a agir em conformidade com os interesses de longo prazo do planeta e do gênero humano como um todo. Uma vez explorada, essa fonte poderosa e dinâmica de motivação individual e coletiva liberará um espírito tão profundo e salutar entre os povos da Terra que poder algum será capaz de resistir à sua força unificadora.
A verdade espiritual fundamental da nossa era é a unidade da humanidade. A aceitação universal desse princípio - com suas implicações em relação à justiça social e econômica, à participação universal em processos decisórios insentos de antagonismo, à paz e segurança coletiva, à igualdade dos sexos e à educação universal - possibilitará a reorganização e administração do mundo como um só país, o lar da humanidade. Há mais de cem anos atrás, Bahá’u’lláh conclamou os governantes e povos da terra a tornarem sua visão mundialmente abrangente: "Que não se vanglorie quem ama seu próprio país, mas sim, quem ama o mundo inteiro". Este desafio ainda deve ser atendido."
Fonte: http://www.bahai.org.br/virtual/EmaDes.htm
Bahá’í International Community Office of the Environment 866 United Nations Plaza, suíte 120 New York, NY 10017 USA Tel: 212-756-3500 Fax: 212-756-3573
Vejo que essa é a questão central e indispensável para que um dia a humanidade possa entrar num sistema de colaboração que permirá realizar as mudanças necessárias rumo a um modelo sustentável de desenvolvimento. Todas as formas de diagnóstico já foram feitas e já se sabe que o mundo dispõe de conhecimento (teórico, técnico, científico) e de recursos (humanos, financeiros, etc) para mudar o que tem que ser mudado. Ou, pelo menos, para alavancar um processo consistente neste sentido. O grande impedimento é de ordem espiritual (entendida como aqui uma forma muito ampliada da "moral"), que pauta seus reflexos no mental, e daí decorre nas formas de interações sociais e com o ambiente. Pois, como as pessoas hoje não se identificam o próprio espírito - a grande maioria atua no mundo com um apanhado de carne e cérebro que luta por possuir somente a matéria, e sob uma perspectiva totalmente egocentrica (o "eu" no centro de tudo, o "meu" interesse primeiro). Nesta perspectiva fica de fato impossível olhar o mundo sob a perspectiva mundiocentrica sob a qual o Ser passa a se identificar com o todo e então, a favor do todo pauta as suas ações. E esta transmigração no olhar não é algo que se possa controlar pela razão. Trata-se de lente sob a qual cada um vê o mundo. Somente o desenvolvimento espiritual, a amergencia de uma nova consciencia no sentido mais amplo da palavra, é capaz de dar conta de transformar as pessoas de dentro para fora, e numa escala global, transformar toda a sociedade.
O texto abaixo, oriundo da Comunida Bahá'í, discorre que forma profunda e ao mesmo sintética sobre o tema, e com muita satisfação compartilho com vcs:
"O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E O ESPÍRITO HUMANO
Adaptação da declaração apresentada à Cúpula da Terra
(Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento)
Rio de Janeiro, Brasil.
Acima de questões técnicas e políticas tais como os limites a serem estabelecidos para a emissão de gases do efeito estufa, como promover o desenvolvimento sustentável, e quem pagará a conta, a pergunta fundamental com que se defronta a comunidade mundial é esta: Pode a humanidade, com seus padrões arraigados de conflito, egoísmo e conduta tacanha, comprometer-se com uma cooperação esclarecida e com um planejamento de longo prazo em escala global?
O processo da Cúpula da Terra realçou tanto a complexidade como a interdependência dos problemas que a humanidade enfrenta. Nenhum desses problemas - as iniquidades debilitadoras do desenvolvimento, as ameaças apocalípticas do aquecimento atmosférico e da destruição da camada de ozônio, a opressão da mulher, o abandono de crianças e poulações marginalizadas, para citar apenas alguns - pode ser abordado com realismo sem que se considerem todos os demais. É impossível solucionar qualquer um deles sem uma magnitude de cooperação e coordenação em todos os níveis que ultrapassa em muito qualquer esforço anterior da experiência coletiva da humanidade.
O potencial para tal cooperação, entretanto, é solapado pela distorção geral do caráter humano. Embora não sejam comumente discutidas no contexto dos desafios do meio ambiente e do desenvolvimento, vigoram no mundo atual certas tendências - que incluem a carência generalizada de disciplina moral, a glorificação da ambição e da acumulação material, a destruição crescente da família e das comunidades, o alastramento da anarquia e da desordem, a ascensão do racismo e do fanatismo, e a atribuição de prioridades a interesse nacionais em detrimento do bem-estar da humanidade - as quais todas, sem excessão , destroem a confiança mútua, alicerce da cooperação.
A reversão dessas tendências destrutivas é essencial para o estabelecimento da unidade e da cooperação. Isso exigirá uma compreensão mais profunda da natureza humana; pois embora a economia, a política, a sociologia e a ciência ofereçam ferramentas importantes para a abordagem das crises interdependentes que afligem a humanidade, uma verdadeira superação do estado de perigo em que se encontram os assuntos humanos só poderá ser levada a efeito quando a dimensão espiritual da natureza humana for levada em conta e o coração humano, transformado.
Embora certos aspectos místicos não sejam fáceis de explicar, a dimensão espiritual da natureza humana pode ser compreendida, em termos práticos, como a fonte das qualidades que transcendem a estreiteza do interesse próprio. Tais qualidades compreendem o amor, a compaixão, a tolerância, a fidedignidade, a coragem, a humildade, a cooperação e a vontade de sacrificar-se pelo bem comum - qualidades de uma cidadania esclarecida, capaz de construir uma civilização mundial unificada.
As transformações profundas e de vasto alcance, a unidade e a cooperação sem precedentes, necessárias à reorientação do mundo rumo a um futuro de justiça e sustentável quanto ao meio ambiente, só serão possíveis tocando-se o espírito humano, apelando-se àqueles valores universais que, por si só, podem capacitar os indivíduos e os povos a agir em conformidade com os interesses de longo prazo do planeta e do gênero humano como um todo. Uma vez explorada, essa fonte poderosa e dinâmica de motivação individual e coletiva liberará um espírito tão profundo e salutar entre os povos da Terra que poder algum será capaz de resistir à sua força unificadora.
A verdade espiritual fundamental da nossa era é a unidade da humanidade. A aceitação universal desse princípio - com suas implicações em relação à justiça social e econômica, à participação universal em processos decisórios insentos de antagonismo, à paz e segurança coletiva, à igualdade dos sexos e à educação universal - possibilitará a reorganização e administração do mundo como um só país, o lar da humanidade. Há mais de cem anos atrás, Bahá’u’lláh conclamou os governantes e povos da terra a tornarem sua visão mundialmente abrangente: "Que não se vanglorie quem ama seu próprio país, mas sim, quem ama o mundo inteiro". Este desafio ainda deve ser atendido."
Fonte: http://www.bahai.org.br/virtual/EmaDes.htm
Bahá’í International Community Office of the Environment 866 United Nations Plaza, suíte 120 New York, NY 10017 USA Tel: 212-756-3500 Fax: 212-756-3573
15 abril 2009
"Shift In Action"
Quanto mais leio sobre sustentabilidade corporativa, desafios ao desenvolvimento sustentável, crise do sistema financeiro e questões socioambientais relevantes (ufa....aja paciência), como o aquecimento global e as (não-)medidas que (não)estão sendo tomadas para tentar mitigar as mudanças climáticas, mais me deparo com a mesma questão central: a noção de interdependência e interconectividade, que mais cedo ou mais tarde "amarra" todas as discussões. Muita verborragia se usa para explicar coisas tão simples, e no final se chega as mesmas conclusões tão singelas de sempre - todos querem, no fundo e por diversos meios, ser felizes, ter uma boa saúde, garantir o futuro dos filhos (alem do seu próprio), se sentir bem. Como ter o simples, hoje, é cada vez mais complexo, fica evidente que para garantir o básico - estar bem neste mundo -, não podemos destruir a nossa Casa, e que tudo depende das pessoas. E que o mundo está como está por que as pessoas pensam que vão suprir seus ideais de felicidade e bem-estar consumindo, consumindo.... It's all about people. E tudo depende da tal "conscientização". Palavrinha comum hoje em dia, embora ainda não assimilada ou compreendida na sua essência. Para começarmos a entender o que é consciência, é preciso olhar para dentro de si. Aprender a ficar em silêncio, meditar. Sem ler, sem falar, apenas se auto-observar, e então acessar um campo infinito de possibilidades, de criatividade, de paz de espírito (sim, para quem acompanha, sou mega entusiasta do autor Deepack Chopra, pois nele vejo a filosofia das vivências que tenho passado). Mas isso pouca gente quer enfrentar. Não é mais gostoso sentar no sofá, pegar o controle remoto...pedir um junk pelo tel.? Depois, o resto se joga no lixo (vejam Ilha das Flores, de Jorge Furtado, link neste blog, para entender o que é lixo).
No afã de encontrar a saída para este pesadelo mundial que nos metemos, tem um movimento muito grande acontecendo, de gente que enxerga no momento atual da Humanidade o limiar de uma crise sistêmica, que observada sob uma perspectiva histórica, se trata da crise de uma civilização que potencialmente levará a nossa ao fim, como muitos outros grandes impérios já se foram - egípcios, persas, mouros, romanos....a única forma de evitar que a nossa sociedade acabe (pq o planeta não vai acabar, quem está correndo risco aqui é a nossa espécie mesmo, a biosfera encontrará uma forma de sobrevivência, de adaptação e de nova evolução, mesmo que a partir de poucos ratos e baratas sobreviventes, a despeito da nossa ignorância) é uma mudança de comportamento em escala global, e sendo o comportamento o reflexo das visões de mundo, da cultura, da educação, da autopercepção (autoconhecimento), a mudança na consciência é a resposta, pois tudo tem que mudar de dentro para fora.
Hoje aderi a uma campanha que parece ser muito séria, o "Shift in Action", e me tornei membro do IONS - Institute of Noetic Ciences, que está encampando o movimento, e comprei o livro "Global Shift" (por apenas U$ 1!!), que explora justamente essa visão da filosofia integral, a sociedade centrada na interdependencia e a ampliação da consciência e formação de novas lideranças como chave do processo de alcance de um modelo sustentável, tem mil redes sociais sobre o tema.....estou animada! Melhor pensar que ainda há jeito, senão, como que a agente toma coragem de colocar um filho nesse mundo? Ainda tenho 32 anos e nenhum dos meus irmãos ou primos pensa em encerrar a família por aqui.
Para se plugar: www.shiftinaction.com
No afã de encontrar a saída para este pesadelo mundial que nos metemos, tem um movimento muito grande acontecendo, de gente que enxerga no momento atual da Humanidade o limiar de uma crise sistêmica, que observada sob uma perspectiva histórica, se trata da crise de uma civilização que potencialmente levará a nossa ao fim, como muitos outros grandes impérios já se foram - egípcios, persas, mouros, romanos....a única forma de evitar que a nossa sociedade acabe (pq o planeta não vai acabar, quem está correndo risco aqui é a nossa espécie mesmo, a biosfera encontrará uma forma de sobrevivência, de adaptação e de nova evolução, mesmo que a partir de poucos ratos e baratas sobreviventes, a despeito da nossa ignorância) é uma mudança de comportamento em escala global, e sendo o comportamento o reflexo das visões de mundo, da cultura, da educação, da autopercepção (autoconhecimento), a mudança na consciência é a resposta, pois tudo tem que mudar de dentro para fora.
Hoje aderi a uma campanha que parece ser muito séria, o "Shift in Action", e me tornei membro do IONS - Institute of Noetic Ciences, que está encampando o movimento, e comprei o livro "Global Shift" (por apenas U$ 1!!), que explora justamente essa visão da filosofia integral, a sociedade centrada na interdependencia e a ampliação da consciência e formação de novas lideranças como chave do processo de alcance de um modelo sustentável, tem mil redes sociais sobre o tema.....estou animada! Melhor pensar que ainda há jeito, senão, como que a agente toma coragem de colocar um filho nesse mundo? Ainda tenho 32 anos e nenhum dos meus irmãos ou primos pensa em encerrar a família por aqui.
Para se plugar: www.shiftinaction.com
25 março 2009
A vida vem em ondas.....
Recentemente falei neste blog sobre crise e entrega. Hj o tema volta, ainda mais forte, por meio deste texto de Sri Aurobindo, que recebi dos queridos colegas de Kriya Yoga aqui do Brasil. Achei profundo, de tirar o fôlego, especialmente diante da época insustentável e desafiadora que vivemos, onde sobra diagnóstico e falta plano de ação. Compartilho para que cada um possa sentir onde ele toca:
"A Hora De Deus
Existem momentos quando o Espírito se move entre os homens e a Respiração de Deus abrange todas as águas de nosso ser; existem outros onde Ele se retira e os homens são deixados a agir com a força ou a fraqueza de seu próprio egoísmo. O primeiro acontece em períodos que mesmo qualquer pequeno esforço produz grandes resultados e muda o destino; o segundo acontece e são espaços de tempo quando muito trabalho gera pequeno ou nenhum resultado. É verdade que o último sempre prepara o primeiro, que a pequena fumaça de sacrifícios sobe aos Céus pedindo a Deus sua generosidade.
Infeliz é o homem ou nação que quando os momentos divinos acontecem, se encontram dormindo ou despreparados para desfrutá-los, pois o pavio de sua lamparina não foi mantido aparado para dar boas vindas e os ouvidos ficaram selados ao chamado. Mas três vezes pior é para os fortes e prontos, que ainda assim, desperdiçam força e perdem o momento; para estes a perda é irreparável ou uma grande destruição.
Na Hora de Deus, purifique sua alma de toda falsidade e hipocrisia e da auto comiseração vaidosa e que você possa olhar diretamente dentro de seu espírito e ouvir aquilo que te chama. Toda a sua natureza insincera, outrora sua defesa contra o olho do Mestre e a luz do ideal, se tornou agora um buraco em sua armadura e atrai a pancada. Mesmo que tenha conseguido segurá-la neste momento, é pior para você, pois a pancada vem mais tarde e vai jogá-lo ao chão no meio de seu triunfo. Mas quando puro, jogue todo o medo para fora; pois a hora é sempre terrível, um incêndio, um tornado ou uma tempestade, uma prensa forte como uma pisada que vem da ira de Deus; mas aquele que consegue ficar em pé, na verdade de seu propósito é quem deve se destacar; mesmo que caia, ele se levantará novamente; mesmo que pareça que passe pelas asas do vento, ele irá retornar. Também não deixe que a prudência mundana fale muito de perto ao seu ouvido; pois esta é a hora do inesperado, do incalculável, do imensurável. Não meça o poder da Respiração por seus instrumentos minúsculos, mas confie e vá em frente.
Mas mantenha sua alma límpida, em todos os instantes, dos clamores do ego. Então um fogo marchará diante de ti à noite, deixe que a tempestade seja sua amiga e sua bandeira irá tremular nas maiores alturas da grandeza que deve ser conquistada."
Sri Aurobindo
(escreveu cerca de 1918)
"A Hora De Deus
Existem momentos quando o Espírito se move entre os homens e a Respiração de Deus abrange todas as águas de nosso ser; existem outros onde Ele se retira e os homens são deixados a agir com a força ou a fraqueza de seu próprio egoísmo. O primeiro acontece em períodos que mesmo qualquer pequeno esforço produz grandes resultados e muda o destino; o segundo acontece e são espaços de tempo quando muito trabalho gera pequeno ou nenhum resultado. É verdade que o último sempre prepara o primeiro, que a pequena fumaça de sacrifícios sobe aos Céus pedindo a Deus sua generosidade.
Infeliz é o homem ou nação que quando os momentos divinos acontecem, se encontram dormindo ou despreparados para desfrutá-los, pois o pavio de sua lamparina não foi mantido aparado para dar boas vindas e os ouvidos ficaram selados ao chamado. Mas três vezes pior é para os fortes e prontos, que ainda assim, desperdiçam força e perdem o momento; para estes a perda é irreparável ou uma grande destruição.
Na Hora de Deus, purifique sua alma de toda falsidade e hipocrisia e da auto comiseração vaidosa e que você possa olhar diretamente dentro de seu espírito e ouvir aquilo que te chama. Toda a sua natureza insincera, outrora sua defesa contra o olho do Mestre e a luz do ideal, se tornou agora um buraco em sua armadura e atrai a pancada. Mesmo que tenha conseguido segurá-la neste momento, é pior para você, pois a pancada vem mais tarde e vai jogá-lo ao chão no meio de seu triunfo. Mas quando puro, jogue todo o medo para fora; pois a hora é sempre terrível, um incêndio, um tornado ou uma tempestade, uma prensa forte como uma pisada que vem da ira de Deus; mas aquele que consegue ficar em pé, na verdade de seu propósito é quem deve se destacar; mesmo que caia, ele se levantará novamente; mesmo que pareça que passe pelas asas do vento, ele irá retornar. Também não deixe que a prudência mundana fale muito de perto ao seu ouvido; pois esta é a hora do inesperado, do incalculável, do imensurável. Não meça o poder da Respiração por seus instrumentos minúsculos, mas confie e vá em frente.
Mas mantenha sua alma límpida, em todos os instantes, dos clamores do ego. Então um fogo marchará diante de ti à noite, deixe que a tempestade seja sua amiga e sua bandeira irá tremular nas maiores alturas da grandeza que deve ser conquistada."
Sri Aurobindo
(escreveu cerca de 1918)
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