26 outubro 2011

Faxina na Alma - Carlos Drummond Andrade

"Não importa onde você parou...em que momento da vida você cansou...o que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar.Recomeçar e dar uma nova chance a si mesmo...e renovar as esperanças na vida e o mais importante:acreditar em você de novo.Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado...

Chorou muito? Foi limpeza da alma...Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia...Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos...Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da tua melhora...Pois é... agora é hora de reiniciar...
de pensar na luz...
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.Que tal um novo emprego?Uma nova profissão?Um corte de cabelo arrojado, diferente?Um novo curso...
ou aquele velho desejo de aprender a pintar...
desenhar...
dominar o computador...
ou qualquer outra coisa...Olha quanto desafio...
quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando.Está se sentindo sozinho? Besteira...
tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento"...tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para "chegar" perto de você.Quando nos trancamos na tristeza...nem nós mesmos nos suportamos...ficamos horríveis...o mal humor vai comendo nosso fígado...até a boca fica amarga.Recomeçar...
hoje é um bom dia para começar novos desafiosOnde você quer chegar?
Ir alto...
sonhe alto...
queira o melhor do melhor...queira coisas boas para a vida...
pensando assim trazemos para nós aquilo que desejamos...pensamos pequeno...
coisas pequenas teremos...já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor...o melhor vai se instalar na nossa vida.E é hoje o dia da faxina mental...joga fora tudo que te prende ao passado...
ao mundinho de coisas tristes...Fotos...
peças de roupa, papel de bala...
ingressos de cinema...bilhetes de viagens...
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados...jogue tudo fora...
mas principalmente...
esvazie seu coração...fique pronto para a vida...
para um novo amor...Lembre-se: somos apaixonáveis...somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes...afinal de contas...Nós somos o "Amor"...Porque somos do tamanho daquilo que vemos,
e não do tamanho da nossa altura."

Texto cedido pelo querido professor e amigo João Cortez.

15 abril 2011

Ativismo Quântico, criatividade e o propósito da existência

Já ouviu falar em Ativismo Quântico? Pois bem, estive em um workshop ministrado pelo célebre físico indiano Amit Goswami (http://amitgoswami.org), organizado pela Editora Aleph em São Paulo, e logo nos primeiros cinco minutos desatei a chorar. Foi choro de alma, pois na fala dele visualizei tudo o que tenho aprendido de mais relevante nessa jornada de autodesenvolvimento que é a yoga, e também o trabalho voltado à “sustentabilidade”. Compartilho aqui um pouco do que vi e aprendi por lá: O trabalho do Dr. Amit, PhD., está centrado no conceito de não-localidade, isto é, não local é tudo aquilo que está fora do espaço e do tempo, de modo compartilhado e interconectado. A consciência, por exemplo! Segundo Amit, a capacidade de amar – e de aprender – está “armazenada” num espaço não-local, e não dentro do cérebro, como prega a ciência tradicional mecanicista há anos, inclusive por meio da educação que a maioria de nós recebeu. Minha grande descoberta – e emoção - foi ver fundamento científico (de acordo com a física quântica) para algumas das vivências mais marcantes que já tive durante estados de meditação profunda, em que experimentei o “jorrar” de um amor imenso e intenso, vindo de uma fonte primordial, um único ponto guardado em algum lugar do universo e capaz de emanar todo o amor, a glória e a bondade que existem manifestados neste mundo. Bem, voltando ao workshop, tudo começou com uma pergunta simples e complexa ao mesmo tempo: Qual o propósito da vida?? Para Amit, a vida é uma agenda de aprendizado (o que concordo totalmente – quem não vive suas “lapidações”?). Para podermos vivenciar o verdadeiro Amor e a Graça que esta vida pode nos oferecer, temos que escolher hábitos de vida que nos possibilitem cumprir com nossa “agenda”. Mas que agenda é essa? Para Amit, o “Dharma” é a agenda de cada um, a missão que cada um tem a desempenhar neste mundo, e ao cumprir com este nosso propósito sentimos imensa felicidade, alegria, bem-aventurança (em minha jornada, aprendi que para descobrirmos qual é o nosso Dharma, devemos investir em conhecer a nós mesmos e nos desenvolver espiritualmente). Falou-se também sobre a Criatividade, que pode ser traduzida como o processo de encontrar novos significados, e o grande mecanismo para mudarmos o atual estado do mundo. Para Amit, os estágios do processo criativo são: - Preparação (ego em ação - buscamos diversas informações sobre o assunto em questão) - Incubação (período em que processamos de alguma forma as informações) - Insight repentino (aquela “luz” que se acende...). Para isso, precisamos estar relaxados, meditar, “abafar” o ego. Não por acaso, minhas melhores idéias surgem ao sair da empresa, ao entrar no banho ou ao acordar. Já passou por isso? - E finalmente a manifestação da nova descoberta, colocada em ação. Por isso, para podermos criar e renovar nossa própria existência, permitindo que infinitas possibilidades venham à nossa vida, Amit nos propõe o intrigante (e até mesmo engraçado!) modelo do “do-be-do-do”, ou seja, o “fazer-ser-fazer-ser-fazer...”. Em nosso cotidiano, especialmente no mercado de trabalho, valoriza-se apenas o fazer, fazer e fazer. Não por acaso, acabamos estressados, com a mente embotada, saúde abalada, relacionamentos colocados em segundo plano e com pobreza de idéias e dificuldade de encontrar soluções para nossos desafios. A solução? Abrir espaço para simplesmente Ser. Par mim, isto é meditar, relaxar, ter momentos de ócio e contemplação, contato com a natureza, o sagrado, a arte, o bem, o belo.... Isto trará energia renovada e capacidade de criar, inovar, encontrar as respostas que procuramos. Isto tudo está fundamentado na idéia de que é a consciência – e não a matéria – a base de toda a existência – e para criar, inovar, é preciso dar ouvidos e asas à nossa verdadeira consciência. Ele propõe uma nova Ciência, pautada pela física quântica, que harmonize a visão cientifica com a visão das diversas tradições espirituais, manifestada por meio de um movimento coletivo – eis o Ativismo Quântico - para disseminação de uma nova visão de mundo capaz de alavancar o processo de transformação global que tanto se discute atualmente. Desafiador? Não para Amit Goswami! Aprofundarei este tema no próximo artigo.

10 março 2011

Reinventar o mundo ou a nós mesmos?

Artigo de Washington Novaes publicada esta manhã revela que bastaria 1,3 trilhão de dólares por ano para transformar a economia global numa "economia verde", segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Pois é, com apenas 2% do PIB mundial seria teoricamente possível migrar do atual estado de extração predatória, produção poluente, consumo e descarte irresponsável para novas práticas que viabilizem o desenvolvimento sem destruir o nosso meio. Não é muito, se pensarmos que são gastos US$ 1,4 trilhão com orçamentos para “defesa” das nações em todo o mundo por ano.
(veja lista dos países que mais gastam com defesa em http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_gastos_militares).

Longe de ser apenas um questão econômica, o que se demanda é uma mudança de foco – investimentos na paz por meio da construção da nova economia, sustentável e inclusiva, capaz de engrenar num movimento rumo ao desenvolvimento sustentável. “Apenas” US$ 420 bilhões são necessários por ano para solucionar a fome e os mais graves problemas sociais em todo o mundo - que são, afinal, a grande causa dos principais conflitos, instabilidades políticas e ameaças ao ambiente. Um ser humano sempre optará por sua sobrevivência - diante da miséria vale tudo para garantir a comida, mesmo que isso signifique destruir o meio em que vive, seja pela agricultura e extração predatória, poluição das águas, do solo, etc. Mas não estamos falando apenas de sobrevivência dos mais pobres, mas de ganância desenfreada de quem tem acesso e controle da riqueza.

Vejamos - se estes números são mais do que conhecidos, idem os problemas, idem as soluções possíveis, se temos os fóruns adequados para discutir articulações internacionais a altura destes desafios, conhecimento e tecnologia, por que simplesmente nada realmente consistente e decisivo é realizado para a mudança global? Pelo contrário, a destinação de recursos dos países ricos para ajudar a aplacar a miséria dos maios pobres tem diminuído para míseros 0,30% do PIB - não chega a meio por cento de toda a riqueza gerada no mundo!

Quanto mais trabalho com questões de sustentabilidade, mais vejo que a verdadeira reinvenção tem que partir de dentro para fora. Sempre que há uma reunião para discutir problemas comuns, começa o jogo de empurra, a defesa dos interesses particulares, a fatiação da solução. Esse atual estado do mundo - equivocado, ignorante e até mesmo esquizofrênico, é reflexo das pessoas vivendo em sociedade e que simplesmente não se identificam com seu meio. Vivem iludidas, achando que o meio está ali para lhes servir sem limites.

De um modo geral, as pessoas estão identificadas demais com seus próprios interesses, e no topo da lista estão sempre aspirações puramente materialistas. O que importa é ter, cada vez mais. Claro que todos nós queremos prazer e conforto, a questão é: qual o limite? E quais os meios para alcançá-lo? É raro haver um senso de propósito ou de real significado para o que quer que seja (a atenção ao Ser está esquecida, ou muito pouco lembrada).

Quem tem poder político e econômico para gerar grandes transformações, em geral não está disposto a abrir mãos de nada importante em benefício do bem estar comum. Muitos “grandes líderes” não se importam com as conseqüências de suas decisões, e ainda tentam escamotear a realidade. É triste. Mesmo que isso signifique acabar com tudo, com nossa própria qualidade de vida, nos condenando a uma vida miserável e colocando em risco o que conquistamos.

Para reinventarmos o mundo, o que precisamos é partir de uma autotransformação – novos pontos de vista, novas visões de mundo, resgate de valores universais, pois somos seres universais. Não dá para reinventar nada com base em visões que deveriam estar ultrapassadas. O que é realmente importante para todos? Queremos de fato um mundo sustentável? Queremos mesmo ser felizes? Como buscamos esta felicidade? Para que estamos fazendo tudo o que fazemos? Conforme me disse em querido professor e sábio mestre – somos seres espirituais, vivendo uma existência material, e não seres materiais com ocasionais vivencias espirituais. É mudar tudo ao mesmo tempo, nós e o mundo, sentir e pensar diferente para agir diferente. Esta mudança requer o resgate de nossa dimensão humana e o acordar para todas as nossas potencialidades, só assim poderemos nos reconhecer como parte deste meio e agir (naturalmente) para o uso dos enormes e maravilhosos recursos de que dispomos, sem destruir.

Cada um de nós deve se conhecer em profundidade para compreender seu real papel neste mundo, para poder viver de acordo com seus próprios valores, assim será mais fácil encontrar a maneira certa de agir e tomar as decisões que beneficiem o todo. Não precisamos mudar sete bilhões de pessoas, mas criar uma massa crítica de lideranças e multiplicadores para fazer a grande e necessária transformação acontecer. Este é um processo que começa com cada um cuidando de si e influenciando os demais, não adianta querer delegar para a ONU ou a OMC.

Veja a íntegra do artigo de W. Novaes em:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,reinventar-o-mundo--a-tarefa-da-rio--20,687748,0.htm

11 janeiro 2011

Na essência, sustentabilidade é uma questão de espiritualidade

Em recente post no blog "Nosso Futuro Comum", Claudia Chow comenta o novo filme "A Hora Final" e clama pela solidariedade para o alcance de uma sociedade mais sustentável.

Após 10 anos de atuação profissional com foco em políticas de sustentabilidade e temas "socioambientais" (de governos a corporações e ONGs), e passando por um intenso processo de auto desenvolvimento por meio da yoga e outras técnicas de autoconhecimento e ampliação da consciência, sinto como verdade em cada célula do meu ser que a abertura espiritual de cada um - com uma consequente projeção em escala global - é caminho inexorável para alcançarmos uma consciência mais ampla, a partir da qual poderemos modificar nosso propósito e modelo de vida. Somente munidos de uma nova visão é que poderemos colocar a economia e o mercado a favor da qualidade de vida e da felicidade das pessoas, ao invés da atual situação, em que somos escravos cegos de um sistema econômico que visa somente ao consumo e com ele caminhamos rumos à nossa própria destruição.

A análise de Claudia, abaixo, traz um retrato muito atual - e lúcido - da situação. Agora, vejamos - existe alguma outra forma de modificar o padrão ideológico predominante, que não passe por uma expansão e reconfiguração de cada um de nós no plano individual, projetando uma nova visão em larga escala para o plano coletivo? Se cada um fizer a sua própria revolução interna (autodesenvolvimento, ou seja, a suprema valorização do "Ser"), naturalmente passará a praticar - em seu trabalho, família, vizinhança e por onde mais passar - uma forma mais sustentável de vida - novos valores para novas práticas. Senão, quem fará por nós? Formamos a humanidade, e a mudanca tem que vir de dentro para fora, não há outro modo.
As três questões que mais intrigam o Homem, desde a mais remota época, são as clássicas "quem somos", "de onde viemos" e "para onde vamos"?. Porém, a busca pelas respostas tem sido delegada para a "Ciência", como se algum técnico de laboratório ou um astrônomo atrás das lentes pudesse nos trazer as respostas. Sem um propósito firme na vida e a noção de que cada um é responsável por tudo o que acontece consigo, e ciente também que tudo o que fazemos produz uma consequência - e que somos responsáveis, portanto, pelo que produzimos no mundo - falar em sustentabilidade acaba sendo mera retórica. Meditemos nesses conceitos. A meditação remove a ignorância ("não-saber"), traz clareza e verdade.

Post de Claudia Chow sobre "A Hora Final", em "Nosso Futuro Comum

"Os cientistas avisam que bilhões, vários bilhões de seres humanos, irão perecer e levar consigo outros tantos bilhões de seres vivos. Provável não ter mais saída. A razão para essa crença é que fazemos parte de uma teia interligada, somos totalmente dependentes dela e nós já a destruímos de forma irreversível em vários itens, polinização, água, solo fértil, clima e sequer cogitamos parar de destruir. E muitos se enganam sobre a forma para pararmos. Para piorar, a maior parte das pessoas – os comuns – está completamente inconsciente sobre o que está por vir. Já a classe dirigente, a superclass, temos duas categorias: os que sabem e fingem não saber e os que não sabem ou escamoteiam as ameaças com soluções tecnológicas impossíveis de se concretizar. Enfim, ainda somos regidos pela ganância, individualismo e ignorância sobre os elos vitais que nos trouxeram até aqui. Teríamos que mudar para solidariedade, coletividade e conhecimento imediatamente e em escala universal para conseguirmos nos adaptar às mudanças inevitáveis que vem pela frente. Isso está fora de questão. As pessoas ainda são muito cruas e incompletas para tal mudança. Não consigo festejar nem com os seminários que parecem raves e reúnem bacharéis em torno da sustentabilidade, porque só se fala muito sobre isso, mas sem nada concreto, muito menos uma mudança profunda e reversão total de valores dos que falam. Na verdade, continuamos com o pé no acelerador em direção ao precipício. Os principais projetos pelo mundo afora ainda são megaconstruções, crescimento populacional contínuo, obesidade e falta de saúde alarmantes, erradicação da pobreza através de disseminação do consumismo para todos com a indústria cuspindo estruturas insustentáveis como carros, aviões, armas, etc. a cada segundo. Todos agem como se o território do planeta fosse inesgotável para essa materialização contínua e o projeto econômico e político é sempre o mesmo, só que a cada vez maior velocidade. Não tem jeito. Nós iremos continuar nosso aprendizado de forma intangível, em outras dimensões, onde até ali poucos de nós irão se encontrar. Rezo para depois achar o sentido disso tudo, dessa perda de consciência de coletividade tão profunda que está por trás da nossa extinção iminente e do fim da vida nesse planeta. O que mais assusta é ver o risco de fim da água e da comida, dois itens sem os quais não teremos nada e dois itens que nada contribuímos para existirem. "